Tenho saudades de dias alaranjados com sabor a chocolate quente. Tenho saudades de todos os momentos felizes, das pequenas surpresas, dos grandes sorrisos.Tenho saudades de mimos, de que alguém se lembre de me dizer um ou dois versos de poesia ou de surpreender com um sítio diferente.
Tenho saudades de um livro que me motive ou de um filme que me faça sonhar. De uma carta cheia de confissões ou de um abraço de um amigo que esteja longe. Tenho saudades de uma grande viagem ou aventura. De uma noite acordada a enviar mensagens. Já tenho saudades de bailleys. De pipocas quentinhas. De sentir o chão do asfalto numa noite estrelada. De ir às compras e encontrar roupa gira. De uma noite a dançar. Saudade de uma conversa difícil. De pessoas difíceis. Saudades de ver as minhas fotos de infância. De brincar com os primos. Saudade de partilhar segredos. De fazer body combat. De receber um prémio literário. Saudade de sentir o coração cheio. De conversas. Saudade de abrir as minhas caixas com fotos, cartas e coisas significativas.
Saudade de praia. De um aeroporto. De Benidorm, de Londres, de Oviedo, de Coimbra, de Lisboa, de Felgueiras, do Porto, de Sesimbra.
Por mais inseguros que sejam estes tempos de indecisão face ao futuro, tenho-nos sempre na melhor de todas as coisas que poderia desejar. Porque quando me abraças, quebram-se todos os lugares escuros que tenho cá dentro e naqueles momentos, sou apenas eu & tu, numa dualidade tão perfeita que a minha vida poderia ser só isso. E em cada beijo apaixonado, o meu mundo é de mil cores sem a escala de cinzentos. E quando a saudade aperta, quando conto as horas que me faltam para ti, sei exactamente quem és: alguém que me salvou de mim mesma.
Amar-te já é pouco, demasiado pouco para o que sinto e nunca consigo traduzir exactamente por palavras. És-me essencial.
No teu deserto fui palavras de sangue. Fui leveza e doçura e arrogância.
No teu deserto houve sempre tudo, dentro do nada. E quanto mais inóspito e sombrio te eras, mais me pedias a claridade de um novo mundo.
Pergunto-me se te encontras todos os dias, dentro desse vazio árido. Se ainda aspiras a essa irrealidade etérea da perfeição. Ou se simplesmente te tornaste como todos os outros, um nómada que se acomodou na rotina e nas convenções sociais. Não te desistas. De todas as promessas que alguma vez teci, pretendo manter, acima de tudo essa: Antes o meu deserto gélido mas dourado do que a rendição a um mundo vazio onde tudo é igual e onde as pessoas agem de forma estereotipada.
Ontem lembrei-me de um dos cd's só com fotos do secundário. Apeteceu-me rever, daquelas nostalgias parvas que nos fazem perder meia hora à procura do tal cd e mal dizer a bagunça de certas gavetas com coisas que nao lembram a ninguém.
Por fim o cd. Deu-me riso. Deu-me saudades. Fotos que já nem me lembrava que existiam. Fotos muito idiotas ou simplesmente menos idiotas. Momentos que ficaram imortalizados. Pessoas que perdi o rasto, pessoas que continuam iguais, pessoas que conheci melhor, pessoas que deixei de conhecer. E eu. Eu de aparelho. Eu sem aparelho. Eu com muitos sonhos. Eu com toda a serenidade que adquiri ao longo desses três anos. Eu com maturidade suficiente, já, para perceber que tudo era e é efemero. Eu feliz.
[So I start a revolution from my bed 'Cos you said the brains I had went to my head Step outside the summertime's in bloom Stand up beside the fireplace Take that look from off your face 'Cos you ain't ever gonna burn my heart out ]
in Oasis -Don't look back in anger
sexta-feira, 11 de Setembro de 2009
É como se deixasse de me ser. Como se me obrigasse todos os dia a ter de estar na moda, através de palavras e gestos da moda, com personalidades da moda, a fazer o que os(as) outros(as) fazem por estar na moda.
Eu não gosto disso. Nunca gostei de moda (nem medianas, nem médias, nem coisas afins).
Sou de tudo. Menos de moda e de descartibilidade.
[e sim, se estiver demodé, qual é o problema?]
sexta-feira, 21 de Agosto de 2009
Sim, o Miguel vai ter com ela ao aeroporto. E continuam a ser felizes, desta vez, sem mais nenhuma crise existencial. Às vezes, o passado fica mesmo para trás, como nunca o imaginámos ou ousámos acreditar. E um dia, somos felizes.
Para a M., eterna companheira de passados e futuros.