sábado, 20 de junho de 2015

Keep calm and be a bride *

Depois de meses em que a escrita se tem centrado em termos académicos e linguagem técnica, sinto necessidade de escrever com o coração.

De escrever sobre os pequenos gestos que nos toldam o discernimento e que nos fazem voltar a ser criança, com aquele sorriso parvo por quase tudo e por quase nada. Posso escrever sobre o facto de ter sido pedida em casamento. Qual é o problema? Eu sei, eu sei, quase todas as miúdas são pedidas em casamento, com mais ou menos aparato, com ou sem anel, com direito a assistência ou simplesmente sozinhas.

Eu fui pedida em casamento, com direito a sol, uma varanda, uns olhos verdes que se ajoelharam e um anel tão a minha cara. Eu fui pedida em casamento com muita urgência, mesmo com os 7 anos e tal de namoro, porque o meu noivo (ahahahah, isto soa engraçado) não conseguiu esperar pelo pôr-do-sol-na-praia-perfeita. Eu fui pedida em casamento e o meu futuro marido não sabia bem qual era a mão em que o anel ficava, mas soube agarrar-me e dar-me um beijo longo e apaixonado.

Eu fui pedida em casamento, mesmo sabendo já que queríamos casar para o ano e de já andarmos a tratar dos primeiros passos de tal acontecimento. Mas fui pedia em casamento, pelo amor da minha vida e disse sim. Disse que sim, abracei-me a ele e demos um beijo (ou foi o contrário? :p). E andei nas nuvens. E fomos jantar à grande, bebemos uma garrafa de vinho tinto e andámos a passear ao som do rio e do mar, com conversas boas e muitos abraços. E adormecemos de mão dada, eu sem largar o anel que estava grande (but who cares?), sem desmanchar o sorriso e o sentimento de menina mimada, aparvalhada e muito lamechas.

Oh, foda*, se o amor não for um bocadinho lamechas, não vale a pena. Nem sequer é amor. E pronto.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Onde é que perdi as palavras? Onde é que me tenho perdido? Em que rotação me encontro, em que frequência? Onde me escondo ou revelo? Onde é que existem perguntas se eu sempre quis respostas? A idade tem destas coisas: saber viver. Eu ainda não sei totalmente mas estou, cada dia, mais próxima de o saber. Saber aceitar. Saber receber. Saber ser grata. Saber agradecer. Saber lutar. Saber enroscar-me em mim para abraçar os outros.

O (meu) mundo é cada vez mais pequeno. E quanto mais elementos perco, mais me ganho. Tem de ter alguma vantagem, certo? O que me desconsola é que o tempo não me obedece. Não pára para me deixar parar e apreciar com calma. É um doido, este mundo. E eu, ou aprendo a geri-lo melhor, ou assim não chego mais longe.

E estagnar é que não.

domingo, 31 de agosto de 2014

sábado, 2 de agosto de 2014

Eu tenho palavras que não saem. Eu tenho ideias que ficam à quem do registo escrito. Eu penso muito, olho, escuto. Oiço para compreender, leio para absorver, sorrio porque me apetece mesmo sorrir. Enfrentar. Aceitar. Lutar.

Tudo sem nexo? Claro, qual é a novidade? Esta sou eu. A antítese. 

domingo, 1 de junho de 2014

segunda-feira, 24 de março de 2014

São 6!

São seis anos. Seis anos e parece que sei de cor tudo o que se passou naquela segunda-feira de Páscoa de 2008. Sei que tinhas urgência em lançar a pergunta. Sei que mal saímos do carro, me abraçaste pela cintura e me fizeste o pedido. Ali, ainda no parque de estacionamento, com o jardim a estender-se à nossa vista. Estava um dia cinzento. Tenho a certeza. Sei a camisola que tinha vestida. Sei que te disse sim feliz mas sem saber nada do que o futuro nos reservaria.

E sabes? Foi o melhor Sim de sempre. Foi a melhor decisão que tomei até hoje. Foste e és um sonho que eu pensava não ter direito. Continuo a olhar para ti, muitas vezes, e pensar no quão bom foi teres aparecido e como tem passado rápido este tempo juntos. As coisas foram acontecendo devagar, os passos dados segundo a nossa lógica e eu tenho adorado a nossa evolução, o nosso ritmo.

Olho para ti e consigo imaginar-me adormecer todos os dias ao teu lado. Se tenho medos?Muitos. Medo desta distância que nos rouba tempo. Medo de não nos conseguirmos entender, um dia. Medo de não conseguirmos realizar os nossos projectos mais elementares. Mas acredito que se mantivermos a união, o diálogo, o foco em nós e na nossa felicidade, vamos conseguir. Acredito que que vamos vibrar em Cuba, um dia, de aliança na mão esquerda. Acredito que todos os dias, mesmo quando discutirmos, vamos dar um beijo de boa noite e não adormecermos chateados. Acredito que me vais dar muitas festinhas na barriga quando formos papás. Acredito que vais sempre querer regressar a casa, depois de um dia de trabalho, para encontrares paz. Acredito que vais aturar as minhas corridas matinais e eu a tua roupa toda enlameada quando fores praticar btt. Acredito que vais ter coragem de me dizer quando uma comida não sair bem (também acredito que vais conseguir cozinhar coisas básicas...tenho métodos de ensino muito eficazes :p). Acredito que me vais ajudar a colorir os meus dias mais cinzentos e eu vou ajudar-te a relaxar nos dias mais stressantes. Acredito que vamos ter muitas viagens pela frente, cá dentro ou pelo estrangeiro, desde que sejamos livres e felizes.

Acredito em nós. Mesmo. Nunca me faças perder esta esperança!

Amo-te. Amo-te mil vezes e digo-te outras tantas. É a palavra mais bonita que já me disseste e nunca será enfadonho ouvi-la. 

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Este corpo que se quebra de encontro ao vazio. Que se estilhaça em luzes negras. Este corpo que não pode nem quer viver pela metade. Chamem-me insana. Pois que o sou. Não quero sobreviver. Não quero delinear tudo demais. Quero, sim, mais. Quero o mundo nas minhas mãos. Quero a sabedoria nas minhas palavras. Quero sentir de forma arrebatadora. Quero (mais) do que existir. Mesmo que isso implique não ser feliz.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Acordo estremunhada, a meio da noite, porque volto a ter um pesadelo contigo. Porque me voltas a dizer que vais embora. E a sensação é a de ficar sem chão. É a dor mais brutal que eu já experimentei.

Este amor tão bom, tão nosso, é-me essencial. Este amor que se constrói devagar, com muitas conversas, com algumas loucuras, com risos e lágrimas, com descobertas e lutas. Este amor que resiste a distância e saudade. Que resiste a discussões e amuos. Que resiste às intempéries habituais. Mas que é sempre tão especial. Tão intraduzível. Este é o (meu) nosso amor. E eu não quero mais nenhum.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Gratidão*

Grata. Pelo ano, pelas pessoas. Pela saúde. Pela paz. 
Deste ano guardo muitas coisas boas e más, como em todos os anos. Guardo pessoas conquistadas e pessoas perdidas. Guardo saúde. Guardo conquistas. Guardo viagens. Guardo o amor e a protecção. Deste ano guardo uma dissertação concluída (vá, falta a defesa). E notícias mesmo boas (duas pessoas mesmo especiais, irmãs quase, foram pedidas em casamento e fui tia emprestada). Guardo surpresas e superação física. Guardo tudo na memória e no coração.

Para o ano? O mesmo. A nossa saúde. O nosso amor. A nossa paz. O nosso trabalho. O nosso mundo.

domingo, 1 de dezembro de 2013

December whishlist


  • Amor, muito;
  • Mariah Carey e os Wham, nos incontornáveis "All I want for Christmas is you" e "Last Christmas", respectivamente;
  • Chá, quentinho, a acompanhar livros, séries, filmes, conversas, revistas;
  • Sol, o máximo que puder ser;
  • Corridas e exercício bom;
  • Prendas de Natal a comprar com muita dedicação;
  • E saúde.

Agora que a Dissertação está entregue, voltamos a ter outra disponibilidade. Se não for mais, intelectualmente.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Praticar o desapego

Sentir saudade do que nos fez bem é normal. Sorrir das lembranças  de cor de dia de verão. Ficar nostálgica pelo que se ergueu e pelo que ruiu. No meu coração a nossa amizade ruiu. Foi devagar, porque sempre acreditei que as amizades como as nossas eram inabaláveis. Quer dizer, será que fomos mesmo amigas? Eu já não sei e é parte mais triste de tudo. Não sei qual de ti conheci nem sei o quão foste de verdade tu. Não sei e é mau. Acredito que sejas a pessoa boa que aparentavas ser. Porque eu pensava que te conhecia o lado lunar. Afinal não. Esse lado tão dramático e obscuro é maior e mais estranho do que aparenta: é um poço de manipulação. E se achava que a doença podia justificar tudo (a tua teimosia, o teu discurso verborreico, as tuas implicações, as tuas tristezas, as tuas flutuações de humor, a tua histeria), acho agora que conheci a doença mas não te conheci a ti. Ou então fizeste da doença o teu escudo protector. Quão vil pode isto soar?

E é tão confuso. Não avassalador. Tão impensável.

A nossa amizade ruiu de vez e agora sou eu quem já não tem interesse em reconstruí-la. Porque a saudade é forte mas esbate. Porque longe da vista, longe do coração. Porque devemos treinar o desapego. Porque sim e porque não. E por todas as razões e mais umas tantas.

sábado, 12 de outubro de 2013

De Madrid

Madrid soube a pouco e a muito. A certeza de que se viu tudo e o querer ficar mais um pouco. Eu gosto muito do modo de vida dos espanhóis, das suas cidades com arquitectura antiga, das suas praças e pracetas, das tapas e das pipas. Aliás, eu adoro passear, viajar, conhecer, absorver, respirar novo, ver cidades. Eu gostei do Guernica (suspirei durante anos para conhecer o quadro) mas o verdadeiro deslumbre veio com o Salvador Dali (surrealismo é a minha definição de arte), eu que já vi tantos quadros dele e ainda me surpreendo. Gostei da Plaza Mayor mas achei a Porta do Sol uma desilusão. Gostei do Parque do Retiro e lambuzei-me com tapas. Perdi mais uns medos num parque de diversões. Mas o melhor, sempre o melhor de tudo, é partilhar estes momentos. E partilhar com quem amamos. Com quem nos dá a mão e atura os devaneios. Com quem se deslumbra também com a vida. Com quem tanto aprendemos e ensinamos. Com o Amor que, quero, seja para vida. Com o meu amor. 

E eu só peço que o futuro nos traga saúde, trabalho remunerado e uma vida de descobertas boas a dois. Por mais negro que o futuro se possa apresentar, nós podemos pintá-lo um bocadinho.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

* all the beautiful things

Tenho saudades tuas. Desmesuradas. Tenho vontade de te tocar à campainha e levar-te a correr ao Choupal. Tenho saudades de uma jantarada com um bom vinho tinto. Tenho saudades da varanda da tua casa e de nós os três a conversar. Tenho saudades de te mostrar música. Saudades de um turno contigo.

Onde é que nos perdemos, miúda? Vale de alguma coisa tentar explicar-te que sempre estive do teu lado? Que continuo a guardar-te, tal como ao nosso miúdo grande, como uma das bênçãos que aquele serviço me trouxe? Que te vejo para além dessa doença parva? Que te aceito de braços abertos e esqueço que duvidas de mim? 
Guardo-te. Sempre. Deste lado esquerdo* Guardo-nos, com sorrisos aos molhos e sonhos impossíveis.


*Eels

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Ora, do tempo

Deste que voa. Voa sempre. De um tempo que não dá para agarrar. Ainda ontem andava a correr na praia e a mergulhar numa água deliciosamente quente e hoje saí de mais uma noite de trabalho na cidade que me deu oportunidade de crescer profissionalmente. Ainda ontem o verão começava com dias de sol que não acabavam e hoje, às 20h, já não havia sol.

Eu abomino estes dias que diminuem de luz tão cedo, neste prenúncio de tempos de chuva e frio. Eu sou do Verão. Nunca do inverno (que leva logo com letra minúscula). Eu sou de sol e tenho medo de lados lunares (e logo eu, que tenho várias faces desse prisma). Eu sou de dias, não da noite. Sou de sangria fresca e não de chocolate quente. 

Têm sido raras as vezes em que consigo saborear um momento aparentemente eterno. Tudo está a andar a uma velocidade de ponta e eu desconfio que alguém anda a acelerar o universo. É que só pode.


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

De regresso, ou quase

Continuo a dizer que é bom voltarmos aos locais onde fomos felizes. E este ano voltei. Sou uma apaixonada por Espanha. Pela língua, pelo modo de vida, pelas vozes cantadas, pelas paisagens. Erasmus permitiu-me gostar a sério do país (mesmo que não gostem de nós, portugueses), de alguma gastronomia (não há sopa como a nossa!), de alguma música. E é bom passar uns dias longe, a absorver uma cultura diferente, um easy living totalmente bom, uma água quentinha e pessoas que gostam de nós.
As últimas semanas não foram fáceis. Foi uma lesão na perna (que me impossibilitou e ainda condiciona o exercício físico). Foram as inconstâncias familiares. Foi perder uma amizade daquelas que achava inabaláveis (ainda quero acreditar que vais compreender todo este mundo que te rodeia). Foram as horas de penúria com a dissertação. Foi a despedida de mais uma amiga que vai trabalhar para longe. Foi sentir que, mais tarde ou mais cedo, vou ficar sozinha em Coimbra.

Mas depois o equilíbrio tem de partir de nós, também. E, agora mais serena, olho para tudo e respiro fundo. E olho para coisas que quero muito experimentar ou voltar a fazer. E viagens que quero planear. E formas de mimar e agradecer a quem (me) merece. E dar o litro para terminar a dissertação que, começa a ser, um orgulho. E os livros e séries que vou pôr em dia. Se tiver saúde, tudo se faz. E o resto vem.

domingo, 4 de agosto de 2013

Conversas que se perdem nas horas. Dissolvo-me assim, neste tempo que vai amadurecendo e entrando em fase terminal. Parece-me que o Verão abrandou. Parece-me que eu própria perdi um brilho qualquer. Parece-me que estou a perder qualquer coisa, se não for mais, quase nem me recordo das férias que aí vêm. A sério? Mas resgato tudo com estas pessoas tão bonitas, tão dóceis, tão exemplo. Havia de haver mais gente assim. 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A(gosto)

E o meu gosto, o meu desejo pequenino, é que consertes em muitas coisas o Julho. Que devolvas esperança. Que desenhes novos sorrisos. Que tragas conquistas redobradas. Que apresentes soluções simples.

Julho foi intenso e eu não sei se preciso de férias porque nem me lembro que tenho direito
a elas, não tarda.

sábado, 20 de julho de 2013

Esta sou eu, hoje sem nos perdoar

Se antevia que isto pudesse acontecer, achava que nunca o farias. Primeiro porque tens sede, ainda que disfarçada, de viver estes mundos no mundo. Segundo porque tens cicatrizes enormes de alguém que (te) fez o mesmo com um desfecho trágico. Terceiro porque sempre ouvi dizer que quem ameaça, não concretiza. 

E agora fazes(me, nos) isto. E eu não sei como lidar. Não sei. Não consigo saber o que te dizer. Não quero, sequer, confrontar-te. Não posso nem faz parte de mim julgar. Então faço-te o quê? Como vou falar contigo? Adio? Confronto? Mostro-te raiva ou esta forma de amar desprendida? Quero realmente saber as razões? Quero realmente saber pormenores? Sabes, há um par de anos eu já lidei com uma coisa semelhante mas a pessoa em questão não me era tão próxima emocionalmente. Portanto, acho que é a primeira vez que me provocam este embotamento afectivo. E eu ainda não reagi. Ainda não chorei ou tive um acesso de riso por alívio. Só pensei. Pensei enquanto corri, pensei enquanto nadei, adormeci a pensar e estava a ouvir o Padre e pensava.

E penso e o que mais me revolta é saber que podia acontecer. E que eu nunca pude fazer nada. Nunca. Não te podia salvar de ti mesma, não te podia injectar sorrisos nem denunciar os teus fantasmas. E isso é que me deixa pior.

No fundo, só quero poder abraçar-te. O mais breve possível. Mesmo que não tenhamos jeito para abraços nem a amizade, tão nossa, se paute assim. Quero-te comigo de novo, com o nosso "irmão mais velho" e umas cervejas, mesmo que eu nunca beba nem vá beber cerveja. Quero-nos sem dramas, mesmo sabendo que isso é impossível.

Quero.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

da idade

A idade. A bela da idade ou a consciência pessoal de que já não vou para nova (mesmo que há 2 duas semanas me tenham recusado vender uma garrafa de vinho por eu não ter documentos comprovativos de que era maior). A idade e a consciência ou a maturidade ou o que quiserem chamar, leva-me a colocar protector solar factor 50 na cara e 30 no corpo. E a re-aplicar conforme a embalagem diz, de duas em duas horas. Ah e já saio de casa com ele. Também comprei um protector solar para cabelos e um creme pós-praia.

Por outro lado, gastei balúrdios num creme de olhos que me previna as rugas e, quase todos os dia, vai de aplicar duas vezes, também conforme a embalagem. Creme de dia só depois de um sérum. E a minha crise existencial é esta: já não vou para nova. Mas isto passa-me. A sério que há-de passar.