quinta-feira, 11 de março de 2010

Pudesse

Pudesses ser transparência minha. Pudesse a tua essência ser de vidro inquebrável. E quando a minha respiração te deixasse turvo, beijava-te.

quarta-feira, 10 de março de 2010

To my twin

Dear;
Tenho saudades daquelas conversas. Sim. De me deitar na tua cama, apagarmos a luz e ficarmos a desfiar histórias, problemas, a procurar compreensão e uma forma de mudar o mundo. Por sermos assim, tão iguais, tão gémeas, como costumamos brincar, temos muita ingenuidade na forma como encaramos as coisas. E aquelas conversas no escuro, serviam de terapia quando as nossas desilusões nos deitavam abaixo. Podiamos ser a Izzie, a Meredith ou a Yang, talvez sejamos um bocadinho de cada uma delas. E ambas sabemos, que, tal como a Meredith, nós iamos afogar-nos. E tinhamos medo disso.
Tenho saudades dos nossos risos histéricos, das maquilhagens, de juntas, nunca chegarmos a horas para nada. E da nossa frase, dita tantas vezes no hall do nosso sexto trás, no elevador ou na rua. E de algo acontecer e olharmos uma para a outra, com tanta vontade de rir ou de comentar que nunca aguentávamos e falavamos ao mesmo tempo. Do meu bailleys e do teu whisky. De sermos tão iguais, desta alquimia que mais ninguém entende. E não precisamos de o dizer todos os dias. Às vezes passamos dias sem o dizer. Já não precisamos, sequer, de palavras.

terça-feira, 9 de março de 2010

Arte



Eu gosto de arte, essencialmente de pintura. Gosto de exposições, de galerias e de museus. Gosto de olhar um quadro pelo prazer de saber que estou a olhar uma raridade, mesmo que às vezes o conceito me seja estranho e, na minha ingenuidade, eu pense que faria melhor. Não faço, portanto. Nunca fiz e sei que não vou fazer. As artes plásticas serão sempre, para mim, teoria.




Não faz mal, vou-me sentindo um Howard Carter de cada vez que me deparo com um Picasso ou um Van Gogh.
(Foto: Sala do Tate Modern, Londres)

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia da Mulher?

Não querendo ferir susceptibilidades mas o Dia da Mulher só serve para acentuar que a mulher é, de facto, frágil, tanto que é necessário criar um dia especial para elas, para serem mimadas, para se falar e alertar para a violência doméstica, para se fazer passar a mulher por coitadinha e se organizarem aqueles jantares histéricos de 30 mulheres que tentam a todo o custo divertir-se e acabam por cair no ridiculo.


Dia das Mulheres é todos os dias. Porque nós gostamos de mimos, de pequenos presentes, de palavras que nos aconheguem o ego assim, do nada. E porque, acima de tudo, ser mulher é poder ousar, é poder ser forte quando todos nos olham como frágeis, é poder ser sensual e vaidosa, é poder correr o mundo de saltos altos ou rir como se não houvesse amanhã.


É por estas e por outras que estou para o dia da mulher como o Salazar estava para a democracia.

domingo, 7 de março de 2010

São horas


É cliché não gostar de despedidas. Mas de cada vez que me dás o último beijo, eu encolho-me bem cá dentro, ainda que não vejas, e digo baixinho à distância, que ela é demasiado cruel. Já tinha saudades tuas antes de me dizeres que eram horas e, mentalmente, desejei ter o poder de alterar o fuso horário e atrasar perpetuamente o relógio. Podia ser que assim, nunca fossem essas horas de teres de ir.

sábado, 6 de março de 2010

E se'





É irrisória a forma como conseguimos passar incólumes às grandes tragédias mundiais. Como se, constantemente, nos levantassemos do lugar no momento certo, antes que uma forte torrente de infortúnios nos acabasse com a vida. Não fui eu que estive no Haiti, no Chile, na Madeira, em Nova York no 11 de Setembro, em Lisboa em 1755. Nem eu, nem uma grande parte das pessoas. E ainda bem.

E se um dia, não acontecer só aos outros?

sexta-feira, 5 de março de 2010

Rock in Rio


Todos os dias o cartaz do Rock in Rio é actualizado. Ele é Elton John, Muse, Snow Patrol, Trovante(...). Para cúmulo dos cúmulos, conta com a Miley Cirus e as super-repetentes Shakira e Ivette Sangalo. Eu sei que não podia pedir que viessem os Beatles ou os Queen. Nem fazia sentido repetirem os Bon Jovi (quer dizer, eles todos os anos repetem imensos nomes).


Mas e os Oasis, Coldplay, Aerosmith, Guns'n'Roses não? É que se eu soubesse, tinha feito o sacrifício e tinha estado horas na fila para comprar bilhetes para os U2. A sério que tinha. É cartaz de jeito que se apresente? Só falta trazerem os Tokio Hotel e a Lady Gaga! Haja paciência.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Tempo

A espera resume-se ao tic-tac de um relógio interno, em que os segundos se convertem em eternidades e não exista nada que possa substiuir ou disfarçar esse interregno. Sabemos de antemão que algo vai acontecer, que os ponteiros nunca podem parar, mas nada é suficientemente grandioso para nos afagar a ansiedade e nos dar bom-senso.
Porque o tempo é certo, é sempre igual. E a espera está-nos nos genes, principalmente após continuarmos a aguardar que D. Sebastião regresse nessa manhã mítica de nevoeiro. E porque afinal, enquanto esperamos, somos já parte desses momentos, vivendo-os e costurando sonhos.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Histórias do mundo

A mãe é alcoólica e abandonou os filhos, ninguém sabe onde está. A filha mais velha tem sete anos, vai à escola de vez em quando porque ficou a tomar conta do irmão, de apenas um ano e meio. Sozinhos nas ruas de Bombaim.


[histórias do mundo, neste caso de Bombaim, na Índia]

Terrivelmente fútil (or not)


Eu não sou uma pessoa fútil mas após o rescaldo de um dia de anos (que, maravilha, conseguiu ser pior que o do ano passado), e com dinheiro para pagar quase uma viagem a Barcelona de alguns dias, eu devia mesmo fazer o que toda a gente me diz: "És esquisita portanto toma lá o dinheiro e compra o que quiseres". Mas depois rematam: "Tem cuidado com o futuro, pensa bem, não sabes o que te espera".


Que contradição, então é para gastar ou não é? Se o gastasse todo era olhada de lado, como uma rapariga mesmo fútil que não pensa no dia de amanhã. Mas não era suposto fazer isso com o dinheiro? E depois se o gastar fico com peso na consciência, o que está muito mal.


Eu devia ir já agora, para a plena rua Santa Catarina no Porto, comprar aqueles pares de sapatos com salto de 10cm e roupa e malas que nunca mais acabassem. Devia sim. Terapia mais do que merecida após os ultimos acontecimentos. Mas, quando se tem um voucher para uma esfoliação corporal seguida de uma massagem terapêutica (eu já me vejo lá a relaxar), pensa-se que afinal há alguem que realmente pensa em nós e nos dá algo para aproveitarmos à séria. E assim, so vou gastar parte do dinheiro nessa minha futilidade temporária, porque afinal, sou um pessoa precavida.

terça-feira, 2 de março de 2010

Era previsível. [quase] Tudo se torna previsível. Podia ter sido feito de outra forma. Para quê? E porque é que continuo à espera quando sei exactamente que as palavras serão sempre as mesmas e os gestos se vão repetir? Podia fingir que estava feliz. Não consigo.



Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh


[grito-me em silêncio]

segunda-feira, 1 de março de 2010

Futebol

Eu já gostei de futebol.


Sim, em tempos idos, eu conhecia todos os jogadores do meu clube; conhecia muitos dos jogadores dos outros clubes; sabia sempre quem estava à frente do campeonato e os principais concorrentes ao titulo; preocupava-me em discutir tacticas; via os jogos; vibrava com os jogos do meu clube e da selecção; cheguei a comprar jornais desportivos; sabia argumentar e defender muito bem as questões do futebol e claro, tenho o cachecol e a camisola oficial do meu clube bem como cheguei a assistir ao vivo a um jogo.

Mas eu mudei. Não sei se é da idade, do facto de o meu clube já não ganhar um campeonato desde a época 2001/2002, da imensa corrupção que existe, dos estádios construídos para o Europeu 2004 que estão agora a dar prejuízo (e o país a precisar tanto de bons hospitais e de melhores condições socio-económicas), dos jogadores que ganham milhões e nem falar correctamente sabem, das injustiças que se cometem (o Braga que não tenha ilusões, nunca ninguém o vai deixar ser campeão, ainda que fosse mais do que merecido), do fanatismo que as pessoas têm.. Não sei.


Eu até podia tentar voltar a gostar. Mas não me apetece. O futebol é um antro de vício, dinheiro mal gerido e que vai colmatando as questões realmente importantes. E ou muito me engano, ou já nem o mundial na África do Sul me vai dizer absolutamente nada. Porque convenhamos, um treinador brasileiro ainda se aguentou e perdoou mas ume equipa cheia de brasileiros? Abram os olhos gente.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Up in the air








"Precisamos sempre de um co-piloto"






[um filme perfeito para um domingo chuvoso, há muito tempo que não via um filme que me aquecesse assim o coração]
Aquela leveza do início, a imprevisibilidade, os fins-de-semana certos, a descoberta de um mundo novo. Mas eu gosto do agora, ainda que sinta falta de ti.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Faz hoje dois anos, pai. Ainda bem que nem te lembras e nenhum de nós tocou no assunto. Sei que ficas triste pela nossa muito frágil ligação a teu nucleo familiar o que fez com que, para mim, nem tenha conseguido chorar (não leves a mal, a culpa não é minha, nem tua, simplesmente foi a distância e a diferença). Mas sei o quanto para ti ele É importante e deve estar lá em cima, a olhar por ti com muito amor.
Foi nesse dia também que tive um dos mais nobres gestos de amizade. Já não sei o que é feito desse amigo, agora. É sempre assim, nunca conseguimos segurar muitos dos que nos são realmente queridos.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Dar a mão

Dou-te a mão, para que não corras demasiado e te percas. Para que, se ficares para trás, me possa aperceber e dar-te força para continuares. E dou-te a mão, essencialmente, para que leias todas as suas pequenas rugas e adivinhes, em proporção inversa, as minhas pequenas estórias.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Pessoal e intransmissível



Chamo-te por todos os nomes, excepto pelo teu. Percebi que se torna impessoal chamar as pessoas que nos são próximas, pelos seus reais e verdadeiros nomes. Chamo-te por todos os nomes, sempre mágicos e sinónimos, para que a purpurinha nunca seja quebrada pela formalidade. Chamo-te pelos nomes que inventámos, do nosso dicionário tão próprio. Chamo-te tantas vezes, quiçá também nas noites de pesadelos e sonhos, onde ninguém ouve, ninguém sabe, excepto o meu vazio.


Chamo-te,uma e outra vez, por cima de toda a distância, de todos os barulhos que poluem o coração, que detorpem os sentimentos. Espero sempre que oiças, mesmo quando te chamo em silêncio. Chamo-te desta forma tão pessoal, tão intransmissível, para que saibas sempre que é para ti.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Sonho

Quando um dia eu atingir muito daquilo que sonho, vou perceber e vou sentir-me feliz? Ou vou existir numa dormência profunda, como agora, quando penso raramente no que já conquistei e só me alegro nesses vis momentos de lucidez?

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

E se, e se, e se... Hoje questiono-me em tudo e chega a ser reconfortante ficar pelas memórias, perceber que nem sempre fui quem era, que vivi imenso, mesmo que o guarde só para mim. Mas não deixa de ser inevitável, tropeçar nos novelos das dúvidas, das indecisões, dos factos marcantes, das historias.
Um dia roubo uma estrela e escrevo um livro só para mim, à sua luz.

Memorias




De entre todos os meus medos, tenho receio de perder as minha memórias. Não quero apagar as minhas mensagens bem antigas no telemóvel, não consigo rasgar os meus diarios de adolescente, não me apetece eliminar o meu perfil no hi5 (apesar de já lá não ir), comprei um disco externo para ter todos os albuns musicais, fotografias e filmes importantes; é sempre novidade quando releio o livro de finalistas do 12º ano e tenho lá as dedicatorias de todos os que na altura eram imprescindiveis; não me vou desfazer nem por nada das cartas que troquei entre o 10º e o 12º (nem as outras, mas estas são realmente mágicas) e vou ter de adquirir um novo quadro de cortiça para pendurar no meu quarto porque o que tenho estás completamente lotado e já com imensas camadas de reliquias sobrepostas.


É assim tão anormal, este meio medo?