sábado, 12 de outubro de 2013

De Madrid

Madrid soube a pouco e a muito. A certeza de que se viu tudo e o querer ficar mais um pouco. Eu gosto muito do modo de vida dos espanhóis, das suas cidades com arquitectura antiga, das suas praças e pracetas, das tapas e das pipas. Aliás, eu adoro passear, viajar, conhecer, absorver, respirar novo, ver cidades. Eu gostei do Guernica (suspirei durante anos para conhecer o quadro) mas o verdadeiro deslumbre veio com o Salvador Dali (surrealismo é a minha definição de arte), eu que já vi tantos quadros dele e ainda me surpreendo. Gostei da Plaza Mayor mas achei a Porta do Sol uma desilusão. Gostei do Parque do Retiro e lambuzei-me com tapas. Perdi mais uns medos num parque de diversões. Mas o melhor, sempre o melhor de tudo, é partilhar estes momentos. E partilhar com quem amamos. Com quem nos dá a mão e atura os devaneios. Com quem se deslumbra também com a vida. Com quem tanto aprendemos e ensinamos. Com o Amor que, quero, seja para vida. Com o meu amor. 

E eu só peço que o futuro nos traga saúde, trabalho remunerado e uma vida de descobertas boas a dois. Por mais negro que o futuro se possa apresentar, nós podemos pintá-lo um bocadinho.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

E eu concordo :)

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

* all the beautiful things

Tenho saudades tuas. Desmesuradas. Tenho vontade de te tocar à campainha e levar-te a correr ao Choupal. Tenho saudades de uma jantarada com um bom vinho tinto. Tenho saudades da varanda da tua casa e de nós os três a conversar. Tenho saudades de te mostrar música. Saudades de um turno contigo.

Onde é que nos perdemos, miúda? Vale de alguma coisa tentar explicar-te que sempre estive do teu lado? Que continuo a guardar-te, tal como ao nosso miúdo grande, como uma das bênçãos que aquele serviço me trouxe? Que te vejo para além dessa doença parva? Que te aceito de braços abertos e esqueço que duvidas de mim? 
Guardo-te. Sempre. Deste lado esquerdo* Guardo-nos, com sorrisos aos molhos e sonhos impossíveis.


*Eels

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Ora, do tempo

Deste que voa. Voa sempre. De um tempo que não dá para agarrar. Ainda ontem andava a correr na praia e a mergulhar numa água deliciosamente quente e hoje saí de mais uma noite de trabalho na cidade que me deu oportunidade de crescer profissionalmente. Ainda ontem o verão começava com dias de sol que não acabavam e hoje, às 20h, já não havia sol.

Eu abomino estes dias que diminuem de luz tão cedo, neste prenúncio de tempos de chuva e frio. Eu sou do Verão. Nunca do inverno (que leva logo com letra minúscula). Eu sou de sol e tenho medo de lados lunares (e logo eu, que tenho várias faces desse prisma). Eu sou de dias, não da noite. Sou de sangria fresca e não de chocolate quente. 

Têm sido raras as vezes em que consigo saborear um momento aparentemente eterno. Tudo está a andar a uma velocidade de ponta e eu desconfio que alguém anda a acelerar o universo. É que só pode.


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

De regresso, ou quase

Continuo a dizer que é bom voltarmos aos locais onde fomos felizes. E este ano voltei. Sou uma apaixonada por Espanha. Pela língua, pelo modo de vida, pelas vozes cantadas, pelas paisagens. Erasmus permitiu-me gostar a sério do país (mesmo que não gostem de nós, portugueses), de alguma gastronomia (não há sopa como a nossa!), de alguma música. E é bom passar uns dias longe, a absorver uma cultura diferente, um easy living totalmente bom, uma água quentinha e pessoas que gostam de nós.
As últimas semanas não foram fáceis. Foi uma lesão na perna (que me impossibilitou e ainda condiciona o exercício físico). Foram as inconstâncias familiares. Foi perder uma amizade daquelas que achava inabaláveis (ainda quero acreditar que vais compreender todo este mundo que te rodeia). Foram as horas de penúria com a dissertação. Foi a despedida de mais uma amiga que vai trabalhar para longe. Foi sentir que, mais tarde ou mais cedo, vou ficar sozinha em Coimbra.

Mas depois o equilíbrio tem de partir de nós, também. E, agora mais serena, olho para tudo e respiro fundo. E olho para coisas que quero muito experimentar ou voltar a fazer. E viagens que quero planear. E formas de mimar e agradecer a quem (me) merece. E dar o litro para terminar a dissertação que, começa a ser, um orgulho. E os livros e séries que vou pôr em dia. Se tiver saúde, tudo se faz. E o resto vem.

domingo, 4 de agosto de 2013

Conversas que se perdem nas horas. Dissolvo-me assim, neste tempo que vai amadurecendo e entrando em fase terminal. Parece-me que o Verão abrandou. Parece-me que eu própria perdi um brilho qualquer. Parece-me que estou a perder qualquer coisa, se não for mais, quase nem me recordo das férias que aí vêm. A sério? Mas resgato tudo com estas pessoas tão bonitas, tão dóceis, tão exemplo. Havia de haver mais gente assim. 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A(gosto)

E o meu gosto, o meu desejo pequenino, é que consertes em muitas coisas o Julho. Que devolvas esperança. Que desenhes novos sorrisos. Que tragas conquistas redobradas. Que apresentes soluções simples.

Julho foi intenso e eu não sei se preciso de férias porque nem me lembro que tenho direito
a elas, não tarda.

sábado, 20 de julho de 2013

Esta sou eu, hoje sem nos perdoar

Se antevia que isto pudesse acontecer, achava que nunca o farias. Primeiro porque tens sede, ainda que disfarçada, de viver estes mundos no mundo. Segundo porque tens cicatrizes enormes de alguém que (te) fez o mesmo com um desfecho trágico. Terceiro porque sempre ouvi dizer que quem ameaça, não concretiza. 

E agora fazes(me, nos) isto. E eu não sei como lidar. Não sei. Não consigo saber o que te dizer. Não quero, sequer, confrontar-te. Não posso nem faz parte de mim julgar. Então faço-te o quê? Como vou falar contigo? Adio? Confronto? Mostro-te raiva ou esta forma de amar desprendida? Quero realmente saber as razões? Quero realmente saber pormenores? Sabes, há um par de anos eu já lidei com uma coisa semelhante mas a pessoa em questão não me era tão próxima emocionalmente. Portanto, acho que é a primeira vez que me provocam este embotamento afectivo. E eu ainda não reagi. Ainda não chorei ou tive um acesso de riso por alívio. Só pensei. Pensei enquanto corri, pensei enquanto nadei, adormeci a pensar e estava a ouvir o Padre e pensava.

E penso e o que mais me revolta é saber que podia acontecer. E que eu nunca pude fazer nada. Nunca. Não te podia salvar de ti mesma, não te podia injectar sorrisos nem denunciar os teus fantasmas. E isso é que me deixa pior.

No fundo, só quero poder abraçar-te. O mais breve possível. Mesmo que não tenhamos jeito para abraços nem a amizade, tão nossa, se paute assim. Quero-te comigo de novo, com o nosso "irmão mais velho" e umas cervejas, mesmo que eu nunca beba nem vá beber cerveja. Quero-nos sem dramas, mesmo sabendo que isso é impossível.

Quero.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

da idade

A idade. A bela da idade ou a consciência pessoal de que já não vou para nova (mesmo que há 2 duas semanas me tenham recusado vender uma garrafa de vinho por eu não ter documentos comprovativos de que era maior). A idade e a consciência ou a maturidade ou o que quiserem chamar, leva-me a colocar protector solar factor 50 na cara e 30 no corpo. E a re-aplicar conforme a embalagem diz, de duas em duas horas. Ah e já saio de casa com ele. Também comprei um protector solar para cabelos e um creme pós-praia.

Por outro lado, gastei balúrdios num creme de olhos que me previna as rugas e, quase todos os dia, vai de aplicar duas vezes, também conforme a embalagem. Creme de dia só depois de um sérum. E a minha crise existencial é esta: já não vou para nova. Mas isto passa-me. A sério que há-de passar.

domingo, 16 de junho de 2013

Ele

Ele não poderia ser perfeito. Às vezes [muitas] é esquecido. Às vezes impacienta-se. Outras tantas fala mais alto. Não quer vir correr comigo (a bicicleta é outra história). 

Mas depois, depois, quando eu me perco nos nossos momentos, sei que é o meu amor por tanta coisa. Pelo gosto em uníssono de conduzir. Pelas nossas loucuras. Pelo gosto das viagens. Pelo gosto em comer e experimentar novos restaurantes. Pela forma como chega por trás de mim e me abraça. Por aqueles beijos capazes de incendiar uma floresta. Pelas nossas músicas cantadas a altos berros (e por acharmos sempre que os cantores é que se enganam nas letras). Pelos sonhos. 

Olho-te e só te digo que te quero amar e ter-te comigo para o resto da vida*

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Fui ali de férias

Fui conhecer o Algarve (olha a ave rara que já conhece muitas cidades europeias e não conhecia o Algarve) de uma ponta à outra, literalmente.

E gostei. Viajar é, sem dúvida, um dos meus propósitos de vida e tenho a sorte de ter ao meu lado o meu amor que é como eu. Portanto, só espero que tenhamos muita saúde e um pequeno euromilhões para o futuro. Não é pedir muito, certo?


sábado, 1 de junho de 2013

Junho!

Então é assim.

domingo, 19 de maio de 2013

dos cabelos brancos

O que me chateia quando encontro um é perceber que não vou para nova. Os cabelos brancos fazem-me temer o que já passou, porque já passou tanto e eu já tenho vinte e seis anos. Vinte e seis anos que me recordam que a vida adulta já chegou. Parece que ontem tinha quinze e estava a sofrer o meu primeiro desgosto amoroso, ao colo da minha mãe, a chorar baba e ranho. Parece que ontem tinha 18 anos e estava feliz da vida com os melhores amigos que podia ter e com a perspectiva de entrar na faculdade. Parece que ontem sofri um choque quando, através da internet, vi que tinha sido colocada em Coimbra. Parece que ontem tinha 19 anos menos um dia e acabara de passar no exame de condução. Parece que ontem tinha 20 anos e tinha toda a certeza do mundo que nunca ia haver amor como aquele e que nunca ia encontrar ninguém tão imperfeitamente perfeito para mim. Parece que ontem tinha 21 e estava a iniciar o meu namoro com o meu amor. Parece que foi ontem que me inscrevi e fiz Erasmus. Parece que ontem tinha 22 anos e estava a andar a primeira vez de avião, com uma das minhas melhores amigas, rumo a Londres. Parece que ontem tinha 23 anos e estava a terminar a primeira semana de trabalho no serviço onde ainda hoje estou, a chorar de felicidade por estar a fazer o que realmente gostava e tinha estudado para, com pessoas fantásticas. Parece que ontem tinha 24 anos e caí na tontice de preencher os meus dias com um mestrado. E isto passa, pessoas, a um ritmo verdadeiramente insano que me deixa tonta quando olho para trás. Calma aí. Eu ainda não fiz um inter-rail. Eu ainda não fiz uma road trip. Eu ainda não fiquei noite adentro, com os meus amigos, na praia, com uma fogueira, música e gargalhadas. Eu ainda não fui a um concerto com o meu irmão. Eu ainda nada, ponto. E depois, olho para trás, e já tanto. Que dualidade. Que estranheza esta que tragos.

E os cabelos brancos estão aqui. Ainda que poucos mas já a fazerem-me lembrar que isto ou se aproveita ou não dá para pensar no futuro. Porque o meu futuro, estão-me a condenar com cortes salariais, com cortes na saúde, com cortes na eventuais reformas. Porque me estão a hipotecar um futuro que eu pensava longínquo. E o meu futuro é hoje. As pessoas já esperam mais de mim. Já ninguém me pergunta como corre a escola, que área vou escolher ou se já arranjei trabalho. As pessoas perguntam-me quando é que me caso, quando é que tenho o primeiro filho, quando é que venho trabalhar para perto de casa. E isto chateia-me.

sábado, 18 de maio de 2013

Perder.me

Perder-me. Pode ser em qualquer coisa desde que seja uma coisa que valha a pena. E tudo vale tão pouco a pena, neste mundo. Nada do que perco tempo trará realmente conhecimento aos outros mas pensar nisso, auxilia-me a continuar. A gastar tantos minutos preciosos desta vida que não se repetirá, tenho mesmo de me enganar e pensar que vou mudar o mundo. Ou então não. Eu nunca quis mudar o mundo, ao contrário de quase toda a gente. Não sou de idealismos nem de ideias demasiado rígidas. Não procuro desenvolver teorias nem passar a vida agarrada a pensamentos demasiado concisos. Eu sou de letras mas das letras dos sonhos e da irrealidade. Apenas isso.

Portanto, por agora, é só perder.me. Mesmo que seja no sono.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Não é que não tenha algo a dizer ou novidades mais ou menos empolgantes ou divagações sempre estranhas. Tenho tudo. Mas não quero falar de nada. Gasto as palavras com quem as merece e tento guardar um bocadinho para a chata da dissertação que me anda a pôr os cabelos em pé. Tento viver em cada corrida (já faço 8 quilómetros em 46 minutos) e aproveitar a sensação boa que me preenche, de seguida. Essa, de me superar. Se não posso voltar, para já, ao btt, faço algo novo. 
E vive-se. Maio é um mês fofinho que associo às cerejas. E há-de nascer uma princesa, este mês, uma sobrinha de coração. E em Junho chega o Verão.

domingo, 28 de abril de 2013


"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo"


[A minha paixão pelo Fernando Pessoa, em especial pelo seu Álvaro de Campos, é sobejamente conhecida. Hoje, numa epifania qualquer pós-corrida, decidi que, se fizer uma tatuagem, quero eternizar: "Trago em mim todos os sonhos do mundo" ]. 

Eu tenho medo de tudo o que me digam que é para sempre. Sou ainda uma descrente em muitas áreas. Apesar de o "para sempre" dar muito jeito e ser muito confortante, é, paralelamente, assustador e demasiado vago. Mas se um dia eu decidir que será para sempre, trarei então, comigo, esse fardo de sonhos, de forma perene.

domingo, 21 de abril de 2013

Da minha liberdade (ou da independência)

Isto quando se conquista, é difícil de abdicar. Esta autonomia de acordar a que horas se quer, de comer o que se quer, de ir treinar às horas que nos apetece, de fazer uma salada rápida para o almoço sem ter de me preocupar com o gosto dos outros (porque não há outros), de não ter comida preparada para levar para o serviço e se encher uma tupperware com sopa e uma peça de fruta e vamos embora. Isto de ser eu a mandar em tudo. Isto de ser eu a ter tudo organizado e arrumado à minha maneira (mesmo que possa estar ligeiramente desarrumado aos olhos dos ouros), de ter tudo sempre limpo, de ouvir música ao som que me apetece, de pegar no carro sem dar satisfações para onde vou, de ir beber um copo com os amigos ou simplesmente ficar em casa com eles a comer pão com chouriço e a falar da vida sem ter de avisar que vou chegar tarde. Isto chama-se a tal independência. Conquistei a minha. Sei-me virar sozinha em muita coisa (outra tanta hei-de aprender). Sei ser responsável. Sei conciliar improviso e rotina. Sou tão feliz assim. 
Tenho medo do dia em que a perder. Tenho medo do dia em que terei de planear todas as refeições, prescindir do exercício em prol da família, fazer imensas viagens entre casa e trabalho e ficar sem tempo para mim. Medo de não poder ir dormir quando me apetece. Medo de quando não puder ir sair quando me apetece. Tenho 26 anos. Idade mais do que suficiente para casar, ter filhos e essas coisas espetaculares de ser adulta. Mas sinto-me como se tivesse 20 e estivesse na faculdade. Será normal? Estarei a atravessar uma crise?

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Queria dizer que me sinto um bocadinho cansada e sem paciência e irritável. Mas depois está um sol maravilhoso, em mês e meio consegui chegar aos 40min seguidos a correr e pronto, os dias voam e eu sei cada vez lidar melhor com distâncias e saudades. E a vida é isto. Para se viver.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Chateia-me

Que pensem que me conhecem pelo que escrevi(a). Que me olhem e me achem que conhecem pelas palavras que debito. Eu não sou palavras escritas nem palavras ditas. Eu sou silêncio. Eu guardo-me e escondo-me de tudo o que é confusão e meios sentidos. E as palavras, em todas as suas formas, são meios sentidos, meias verdades e meias mentiras. As palavras podem fazer de mim quem eu quiser mas nunca quem eu sou. As palavras podem mentir e omitir, transfigurar, refugiar ou expulsar. Vêm, pessoas, como as palavras são tão dúbias? Talvez eu seja também dúbia. Eu sei quem sou mas não quero que toda a gente o saiba. Não quero que saibam as minhas fraquezas nem as minhas qualidades. Limitem-se a aceitar a pessoa que se vos afigura. Doce e intempestiva. Calma e irónica. Limitem-se a isso. Limitem-se a viver pela metade e a necessitar sempre da vida dos outros para viverem a vossa. Eu cá estou bem comigo mesma. E é bom.

sábado, 6 de abril de 2013

39km e uma dor no trocânter esquerdo

Na ausência de bicicleta estática, tenho-me dedicado às corridas. Mas hoje lá voltei a pegar na bicicleta de btt pois aliou-se tempo bom + estar em casa + disponibilidade do senhor meu pai e namorado. Tudo muito bem, um sol bom, apesar do vento e, eis que de repente, aparece uma dor na zona do trocânter esquerdo. Sempre que fazia subidas prolongadas, lá sentia aquela dor aguda. E a chegada a casa foi um suplício mas agora estou bem e sem dor. Não gostei. E eu tinha tantas saudades da bicicleta!